Por: Sérgio Ferreira
Hoje, 24 de outubro, comemora-se o dia mundial de combate à poliomielite (pólio). Também chamada de paralisia infantil, esta é uma doença causada pelos tipos 1, 2 e 3 do poliovírus, que não tem cura e é altamente contagiosa. Ela acomete principalmente crianças até os 5 anos de idade, mas também pode infectar adultos que não foram imunizados.
Segundo o Ministério da Saúde, a maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas, mas isso não impede o contágio para as demais. Contudo, ainda assim, há manifestações graves da doença que podem causar paralisia e levar à morte. Para prevenir, não há outra opção, senão a vacina, que deve der ministrada em todas as crianças menores de 5 anos.
"A transmissão da poliomielite pode ocorrer de pessoa para pessoa, por meio de secreções eliminadas ao falar, tossir ou espirrar. É possível, também, que aconteça por transmissão oral-fecal, em decorrência da contaminação da água e de alimentos com fezes", explica Luiza Helena Falleiros Arlant, membro do departamento de infectologia da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).
Não existe uma causa certa para a paralisia, mas, acredita-se que a falta de saneamento básico atrelado à má higiene pessoal contribui para a transmissão do poliovírus, responsável pela doença.
Nos casos mais leves da doença, os pacientes podem apresentar sintomas como febre, mal-estar, dor de cabeça, na garganta e no corpo, vômitos, diarreia, meningite, prisão de ventre, entre outros.
Já as manifestações nos casos mais graves podem ser apresentadas com quadros de deficiência motora, comprometimento da musculatura, sobretudo os inferiores, flacidez muscular e por aí vai.
Aqui vale destacar que a poliomielite pode deixar muitas sequelas, que estão relacionadas com a infecção da medula e do cérebro pelo poliovírus e, normalmente, não há cura definitiva. Entre as mais comuns estão:
Não há um tratamento clínico específico para a doença, tanto os sintomas como as sequelas são tratados de acordo com o quadro clínico do paciente. Geralmente, as sequelas são tratadas com fisioterapia e exercícios que ajudam a desenvolver a força dos músculos que foram afetados, além de medicamentos para dores.
O
Governo Federal promove, de 5 a 30 de outubro, a Campanha Nacional de
Vacinação contra a pólio, que tem como meta imunizar 10.718.303 das
crianças com menos de 5 anos de idade até o dia 30 de outubro,
abrangendo, portanto, 95% do público-alvo da campanha.
As doses estão disponíveis gratuitamente no SUS (Sistema Único de Saúde) pelo Programa Nacional de Imunizações. Crianças entre 2, 4 e 6 meses de idade, devem tomar três doses injetáveis contra os três tipos de poliovírus (1, 2 e 3). Já aos 15 meses e 4 anos, são necessárias mais duas doses de reforços orais, que protegem contra os poliovírus 1 e 3.
Na rede privada, é possível encontrar a opção da vacina hexavalente, que traz a prevenção contra a poliomielite combinada à proteção de outras cinco doenças (hepatite B, coqueluche, tétano, difteria e doenças causadas pela bactéria Haemophilus influenzae tipo b) em uma única vacina injetável, devendo ser aplicada aos 2, 4 e 6 meses de vida. O reforço desta deve ser feito entre 15 e 18 meses de idade e 4 e 5 anos.
O objetivo da campanha é reforçar a importância da prevenção, a facilidade ao acesso das vacinas e reduzir o risco de reintrodução do poliovírus no país. Os tipos 2 e 3 da poliomelite já foram considerados erradicados, enquanto o tipo 1 ainda afeta dois países no mundo: Paquistão e Afeganistão.
No Brasil, o último caso de poliomielite foi registrado em 1989. Ou seja, desde a década de 1990 não há novos casos de infecção por aqui. No entanto, de acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2019, nenhuma das vacinas infantis atingiram a meta estabelecida, o que tem trazido preocupação para o ressurgimento da pólio e outras doenças no país.
Entre 2018 e 2019, a cobertura da poliomielite para as doses até os 15 meses foi reduzida de 89,54% para 83,74% e, em 2020, está em 65,64% até o momento, segundo o DATASUS (Departamento de Informática do SUS).
A vacina, portanto, é importante para que não haja surgimentos de novos casos, após tantos anos livres da doença.
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