Por Sérgio Ferreira
Em live realizada pelo Facebook, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que pediu ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, que dê prioridade para a volta às aulas no Brasil.
De acordo com Bolsonaro, esse anseio surgiu logo após entidades como a OMS, Unicef e Unesco divulgarem comunicados a respeito. As organizações alertaram sobre a necessidade urgente de retornar com as atividades presenciais em vez de demais estabelecimentos sociais.
Para essas instituições, a saber, não há indícios de que o aumento de casos do novo coronavírus se deve à reabertura das escolas em determinadas regiões. De acordo com os órgãos, caso as medidas de higiene tenham funcionado nas escolas não há como pensar que foram a volta às aulas que agravou a transmissão.
“Nós somos o país que tem o maior número de dias da molecada sem aula, só está faltando nós. Hoje mandei mensagem até para o ministro Milton, do MEC, para ele se preparar e começar a orientar – a decisão [final] não é nossa, é dos prefeitos – para que se voltem as aulas no Brasil. É inadmissível perdemos um ano letivo”, disse Bolsonaro.
Durante a live, Bolsonaro resolveu falar ainda sobre os sindicatos, que têm pedido para que os governos adiem a volta às aulas no Brasil inteiro.
De acordo com o presidente, a movimentação sindical faz parte da ‘esquerda radical’. Além disso, para ele, os líderes desejam que os alunos não voltem a se ‘instruir’.
“O pessoal deve saber como é composto, não é, a ideologia dos sindicatos de professores pelo Brasil. É um pessoal de esquerda radical. Que para eles está muito bom ficar em casa. Por dois motivos: eles não trabalham e outra, colabora para que a garotada não aprenda mais coisas. Não voltem a aprender a se instruir”, disse Bolsonaro.
Vale lembrar que um relatório da semana passada da OCDE coloca o Brasil no grupo dos países já com mais tempo de escolas fechadas desde o início da pandemia.
De acordo com esse balanço, até o fim de junho, 52% dos países — 46 nações foram avaliadas — haviam fechado suas escolas por 12 a 16 semanas e 28% as mantiveram fechadas por 16 a 19 semanas.
O Brasil, por sua vez, mostra posição limiar, com 16 semanas contabilizadas até o dia 30 de junho. Os países da OCDE haviam mantido, em médias, suas escolas fechadas por 14 semanas até o fim do período estudado.
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