Por Sérgio Ferrira
Rosaly Bouassi disse em entrevista à Globonews que pensou estar no meio
de um terremoto e que o impacto da explosão balançou o prédio e quebrou
o vidro das janelas.
"O
meu bairro não é tão perto, mas sentimos aqui como se fosse um
terremoto. O prédio balançou, os vidros quebraram, as cadeiras da sala
de jantar ficaram cada uma para um lado. Foi muito forte, terrÃvel."
Mesmo morando na região do centro da cidade, não muito próxima do
porto, a força do impacto fez Rosaly pensar que tivesse acontecido na
rua de sua casa. "Tudo em volta começou a quebrar, tudo caia. Não foi
muito rápido, durou um pouco. Foi assustador.", disse.
Ela também ressaltou a solidariedade das pessoas durante um momento difÃcil que o paÃs atravessa, com instabilidade polÃtica, crise econômica e insatisfação com o governo.
"Cada um está tentando ajudar aos outros. Os danos são terrÃveis, tudo
muito lamentável e muito triste. As pessoas esqueceram da Covid neste
momento".
Pensei que a guerra estava recomeçando'
Gilmara Souza estava trabalhando em casa quando sentiu um tremor muito
forte. Ao verificar se a filha estava bem, aconteceu a primeira
explosão. "A rua toda estava com os vidros quebrados, estilhaços por
toda rua. Foram duas explosões, uma seguida da outra", disse.
"Senti um medo muito grande, senti que a guerra recomeçou aqui"
Brasileira que mora em Beirute diz: ‘Achei que a guerra estava recomeçando’
Sem saber o que estava acontecendo
Há 3 anos no LÃbano, a brasileira Liamara Vincentim contou ao G1 que
passava pela portaria do prédio em que mora no bairro Ramlet El Baida, a
cerca de 7 km do local da explosão, quando sentiu um forte tremor.
"Senti um tremor na terra, como se fosse um terremoto, e de repente uma
explosão muito forte que chegou a quebrar os vidros da portaria".
"Ficou eu e o porteiro sem saber o que estava acontecendo, foi meio
assustador", acrescenta. Depois os vizinhos começaram a sair e gritar na
janela, e nesse momento ela viu a fumaça e percebeu que era uma
explosão longe dali.
O governo libanês contabiliza ao menos 25 mortos após a explosão. Em
entrevista a uma rede de televisão, o ministro da Saúde do LÃbano, Hamad
Hasan, disse que há cerca de 2,5 mil feridos. Inicialmente, o governo
havia falado em 30 mortes e 3 mil feridos.
O primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, disse em um pronunciamento
que o paÃs enfrenta uma catástrofe e declarou luto oficial de um dia.
Ele disse também que o governo irá investigar os responsáveis pelo
armazém que funcionava no porto da capital desde 2014.
Ainda não é possÃvel saber com exatidão a quantidade de feridos ou qual
seria a causa da explosão. Apesar de o paÃs já ter sido alvo de
terroristas e viver perÃodo de instabilidade polÃtica, não há evidência
ainda de que se trate de um atentado terrorista.
G1