Por Sérgio Ferreira
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) escolheu, nesta sexta-feira (3), o
secretário de educação do Paraná, Renato Feder, para assumir o Ministério da Educação. O
anúncio oficial da Presidência deverá ocorrer ainda hoje.
A decisão pelo nome de Feder confirma, conforme antecipou o R7, que o
nome do secretário estava no radar antes de Carlos Decotelli ser nomeado.
O currÃculo de Feder, de acordo com informações que constam da página da
Secretaria de Educação e Esportes do Paraná, possui graduação e mestrado em
instituições de ensino de São Paulo.
Feder se formou em Administração pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e fez
mestrado em Economia na USP (Universidade de São Paulo). Ainda foi professor da
EJA (Educação de Jovens e Adultos), deu aulas de matemática por 10 anos e foi
diretor de escola por 8 anos. O currÃculo inclui ainda assessoria voluntária da
Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.
Aos 24 anos, em 2003, assumiu uma empresa de tecnologia, que se tornou
bilionária. Deixou o cargo de CEO da empresa para assumir a secretaria do
Paraná.
Agora, como titular do ministério, terá que assumir uma frente para
coordenar uma resposta educacional em relação à pandemia do novo coronavÃrus.
Entre os principais desafios, estão a realização das provas do Enem (Exame
Nacional de Ensino Médio) e volta às aulas.
O último titular da pasta foi resultado de uma articulação feita pelos
ministros militares do Planalto. A seleção do novo ministro, inclusive, se
transformou numa nova disputa entre a ala militar e ideológica.
Carlos Decotelli, o último
a exercer a função de ministro da Educação, deixou o cargo
na última terça-feira (30) após cinco dias. A demissão foi a maneira avaliada
para encerrar a crise com as inverÃdicas informações no currÃculo dele.
Bolsonaro anunciou Decotelli para a Educação no dia 25, por meio de redes
sociais. Na ocasião, escreveu que o nomeado era bacharel em Ciências Econômicas
pela UERJ, mestre pela FGV, doutor pela Universidade de Rosário (Argentina) e
pós-doutor pela Universidade de Wuppertal (Alemanha).
No entanto, o próprio reitor da Universidade
Nacional de Rosário negou que Decotelli tenha obtido o tÃtulo. Depois,
a Universidade de Wuppertal também negou que o nomeado
possuÃa a certificação de pós-doutor.
Em seguida, mais uma incoerência, desta vez, com instituições brasileiras. A
FGV informou que Decotelli não foi
professor da fundação, como o próprio registrou em seu
currÃculo, além de abrir investigação para apurar suspeita de plágio em sua
tese de mestrado. Decotelli, após as contestações, alterou o próprio currÃculo.
As incoerências em sua formação profissional ameaçaram o titular na pasta,
que caiu após cinco dias, antes mesmo de tomar posse. Decotelli foi o terceiro
ministro da Educação no governo de Jair Bolsonaro, após problemáticas gestões
de Ricardo Vélez e Abraham Weintraub -
sendo este último investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
*Com a colaboração de PlÃnio Aguiar, do R7