O Ministério da Educação encaminhou, nesta segunda-feira,
um ofÃcio para as secretarias estaduais e municipais de Educação com
orientações e diretrizes a serem adotadas no ensino público. Batizado de
"Escola de Todos", o documento sugere a adoção de medidas com o
objetivo de garantir "pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas,
respeito às diferenças, tolerância, combate ao bullying, à automutilação
e a não exposição a propagandas polÃtico-partidárias dentro das
instituições de ensino".
De acordo com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, que convocou
uma coletiva de imprensa para anunciar o envio do ofÃcio, a ideia é
criar um ambiente de acolhimento nas escolas. "O objetivo é dar um
ambiente acolhedor para as crianças, diminuir o bullying, melhorar os
indicadores educacionais, reduzir a automutilação e o suicÃdio,
preservando o direito das pessoas se expressarem dentro do que é um
ambiente civilizado, normal, sem excessos. Evidentemente tem alguns
vÃdeos que mostram excessos e excessos têm que ser coibidos. É plural,
tem que contar várias versões, não pode falar só de um lado", disse.Â
Weintraub defendeu a necessidade de pacificar a sala de aula e
criticou a existência de militância polÃtica nas escolas. "É buscar uma
pacificação do ambiente escolar, paz, deixar a militância fora das
escolas. Pode se falar de polÃtica de uma forma plural, civilizada, não
impositiva". No documento, o MEC lista cinco direitos dos alunos, entre
eles o direito de "ter um ensino com base no pluralismo de ideias e de
concepções pedagógicas, resguardada a liberdade de expressão, a
tolerância, de opiniões e o acesso, em sala de aula, às diversas
versões, teorias e perspectivas sociais, culturais, econômicas e
históricas". Também enfatiza o direito do aluno não "ser prejudicado por
sua história, identidades, crenças e convicções polÃticas ou
ideológicas" e não pode "ser submetido a uma comunicação comercial
inadequada - como propagandas polÃtico-partidárias - no ambiente
escolar".
O ofÃcio ainda recomenda que "professores e comunidade escolar devem
respeitar as crenças e convicções do estudante, desde que não incitem Ã
violência, de forma a evitar qualquer tipo de constrangimento ou
ameaça".Â
Não impositivo
Segundo o próprio ministro, o ofÃcio apenas destaca aspectos já
previstos em lei e não é impositivo. Cada secretaria estadual e
municipal de Educação deverá avaliar a possibilidade de implementar as
sugestões. O MEC disponibilizou canais para que os entes federativos e
também os próprios estudantes, professores e associações de pais e
alunos possam tirar dúvidas sobre as medidas ou denunciar situações que
estejam em desacordo com as diretrizes do Escola de Todos. "Estamos
tentando achar um caminho, democraticamente, com todo mundo, com as
secretarias estaduais e municipais. Estamos passando vários canais de
comunicação do MEC, para caso haja dúvidas, excessos, ineficiências,
para que eles sejam encaminhados de forma institucional e a gente veja e
analisa se há ou não o descumprimento de alguma lei, para ser
corrigido", disse Weintraub.
Ele chamou a iniciativa de um "chamamento para lembrar a todos para
que serve uma escola". O ministro não chegou a informar se o governo
pretende propor algum tipo de projeto de lei para institucionalizar o
Escola de Todos no futuro.  Além das secretarias estaduais e municipais
de Educação, o ofÃcio também foi enviado para os presidentes do
Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e da União
Nacional de Dirigentes Municipais de Educação (Undime).Â