Embasa nega contaminação em água distribuída em Simões Filho, Salvador e Camaçari

Por Visual News Notícias 30/04/2019 - 08:24 hs

Por visual News Noticias

A Embasa emitiu nota de esclarecimento sobre a divulgação de um estudo realizado pela ONG Repórter Brasil e da organização suíça Public Eye sobre presença de agrotóxicos na água distribuída em diversas cidades baianas, a partir de resultados de análises registrados entre 2014 e 2017 no Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano).

Sobre investigação conjunta da ONG Repórter Brasil e da organização suíça Public Eye sobre presença de agrotóxicos na água distribuída no Brasil a partir de resultados de análises registrados entre 2014 e 2017 no Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano), a Embasa esclarece que a interpretação dos dados divulgados em matéria jornalística não informa que os níveis detectados nas amostras dos municípios citados estão bem abaixo do valor máximo permitido (VMP) pelo Ministério da Saúde. 

Vale ressaltar que, no período considerado na investigação (2014-2017), os equipamentos e procedimentos utilizados nas análises da Embasa indicavam com precisão a presença quase nula, ou em concentração inferior ao VMP, de 23 das 27 substâncias de agrotóxicos monitoradas nas análises. Para as outras quatro substâncias, o nível de precisão era mais baixo. Em 2018, porém, laboratórios de terceiros foram contratados para verificar com mais precisão a presença dessas quatro substâncias e os resultados, já disponíveis no Sisagua, atestam que a água distribuída pela empresa está em conformidade com a Portaria de Consolidação nº5 de 2017, norma que determina os parâmetros de potabilidade da água no Brasil.

Sem considerar essa informação, a ONG Repórter Brasil e a Public Eye afirmam que a água de alguns municípios baianos está com presença de agrotóxicos acima do nível permitido. No entanto, a partir de 2018, foi possível comprovar que todas as 27 substâncias estavam em total conformidade com o exigido pelo Ministério da Saúde. 

Para acompanhar os aperfeiçoamentos ocorridos, nos últimos anos, no método de controle da qualidade da água, a Embasa tem investido na aquisição de equipamentos de alta precisão para fornecer informações com alto grau de confiabilidade e, assim, contribuir para o fortalecimento da rede de segurança da água para consumo humano existente no país.

RELEMBRE O CASO


Os testes realizados por empresas de abastecimento divulgados em um levantamento elaborado pela ONG Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye, apontou que a água utilizada pela população de Simões Filho, Camaçari e Salvador, na Bahia, está contaminada com agrotóxicos associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas. As três cidades aparecem na lista que contém 271 cidades baianas.

Os dados são do Ministério da Saúde e foram obtidos e tratados em investigação conjunta da ONG Repórter BrasilAgência Pública e a organização suíça Public Eye. As informações são parte do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), que reúne os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento. O estudo utilizou o parâmetro da União Europeia ao realizar a análise.

Veja abaixo a situação de Camaçari, Simões Filho e Salvador e quais substancias venenosas foram encontradas nas águas que chegam nas casas dos moradores de cada uma das citadas.

Camaçari

Segundo o estudo, a água de Camaçari está contaminada com 27 agrotóxicos, dos quais 11 estão associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos; três agrotóxicos acima do limite de segurança estipulado pelo país e 22 acima do limite definido pela União Europeia.

Alguns dos agrotóxicos mais perigosos ultrapassaram os limites europeus em mais de 20% dos testes. Entre eles, o glifosato (como provável cancerígeno) e o mancozebe, ambos associados a doenças crônicas como em Câncer, e o aldicarbe, proibido no Brasil e classificado pela Anvisa como “o agrotóxico mais tóxico registrado no país, entre todos os ingredientes ativos utilizados na agricultura”.


Simões Filho

Já na cidade de Simões Filho, foram encontrados 12 agrotóxicos, dos quais 6 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas.

Em Simões Filho, os seis venenos associadas a doenças crônicas são: Alaclor, Atrazina, DDT + DDD + DDE, Diuron, Lindano e Trifluralina. O diuron, por exemplo, é um dos principais herbicidas nas águas do município. A substância é uma das apontadas como provável cancerígena pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. Além disso, Simões Filho tem outros seis agrotóxicos acima do limite de segurança estipulado pela União Europeia


Salvador

Salvador também está presente na lista divulgada pela Sisagua. Segundo os dados, foram encontrados 16 agrotóxicos, sendo oito associados a doenças crônicas, como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos; e três agrotóxicos acima do limite de segurança estipulado pelo país e 13 acima do limite definido pela União Europeia.

Saúde em Alerta

O Ministério da Saúde alerta que os venenos podem entrar no corpo por meio de contato com a pele, mucosas, respiração ou ingestão. Os sintomas mais comuns logo após a exposição são mal-estar, dor de cabeça e cansaço. Nos casos mais graves, pode se identificar lesões de pele, tonturas, dificuldade respiratória, podendo ocorrer coma e morte.

Os agroquímicos também podem desenvolver problemas crônicos, que aparecem após algum tempo, como distúrbios como irritabilidade, ansiedade, alterações do sono e da atenção, depressão; dor de cabeça, cansaço, alergias de pele e respiratórias, problemas neurológicos e até alguns tipos de câncer.

simoesfilhoonline