Sem Donald Trump, Bolsonaro deve ser destaque em Davos, na Suíça

Por Visual News Notícias 15/01/2019 - 09:09 hs

Sem Donald Trump, Bolsonaro deve ser destaque em Davos, na Suíça
Jair Bolsonaro será cobrado sobre temas de direitos humanos e meio ambiente (Foto: Marcelo Camargo/A

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O presidente Jair Bolsonaro (PSL) fará sua estreia internacional no Fórum Econômico de Davos, que começará na próxima semana, e já deve assumir o protagonismo do evento, que não contará com as participações dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da França, Emmanuel Mácron.

As promessas de abertura do mercado brasileiro, o combate à corrupção e o discurso liberal da equipe econômica, liderada pelo economista Paulo Guedes, atraem as atenções de empresários e do governo da Suíça. Mas o presidente brasileiro, que estará no evento entre os dias 22 e 24, também será cobrado sobre uma posição em temas importantes como defesa da floresta, imigrantes, igualdade de gênero e direitos humanos.

O discurso do presidente em áreas sociais constrange organizadores e autoridades. O foco será em sua agenda econômica, principalmente o pacote de privatização e abertura comercial, além dos planos do ministro Sérgio Moro para combater a corrupção.

Davos sofreu duas perdas importantes em sua programação, após confirmação das ausências de Trump e Macron no evento internacional. Um dos dirigentes do fórum não escondeu que, diante dessas desistências, Bolsonaro desponta como "uma das principais atenções" da edição do evento em 2019.

Uma lista preliminar dos convidados obtida pelo jornal revela: de fato, a presença de chefes de Estado traz nomes de pouco destaque internacional. As apostas recaem sobre a participação de países latino-americanos, com a presença de líderes eleitos no ano passado, como o presidente da Colômbia, Ivan Duque, e Lenin Moreno, do Equador, e de Mario Abdo Benitez, do Paraguai.

Comitiva

Além de Jair Bolsonaro, a comitiva vai contar com os ministros da Fazenda, Paulo Guedes; da Justiça, Sérgio Moro; e o chanceler Ernesto Araújo. O filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, também estará presente. A lista ainda inclui o governador de São Paulo, João Doria, e Luciano Huck, ainda classificado apenas como "apresentador de TV" na agenda do Fórum.

O setor privado estará representado pela Apex-Brasil e executivos do Bradesco, do Banco BTG Pactual - que terá a presença do banqueiro André Esteves -, Eletrobrás, Embraer, Itaú Unibanco, Petrobrás e Vale.

"Há muita curiosidade para saber o que Bolsonaro é e o que pensa. Mas, mais que ouvir Bolsonaro, os empresários vão querer buscar garantias com seu ministro da Fazenda (Paulo Guedes)", comentou um dos diretores de Davos, sob condição de anonimato. "Ele é de Chicago e isso, claro, dá certo conforto a muitos que estarão em Davos", disse, em referência ao fato de Guedes seguir uma linha de pensamento desenvolvida na universidade da cidade americana, com foco no liberalismo.

Moro também ganhará protagonismo. O ex-juiz fará apresentação sobre seus planos para reforçar o combate à corrupção aos empresários. O fórum, que chegou a entregar um prêmio de estadista do ano para Luiz Inácio Lula da Silva, tinha Marcelo Odebrecht como um de seus copresidentes e a Petrobras como apoiadora financeira de uma campanha contra a corrupção.

Atualmente, entre os organizadores do fórum, não se disfarça o mal-estar diante de algumas das primeiras decisões do presidente Jair Bolsonaro referentes as minorias e à proteção do meio ambiente. Tampouco é apreciado o ataque constante do chanceler Ernesto Araújo contra o "globalismo". Davos, para muitos na Suíça, foi uma das peças centrais desse processo de construção de uma ordem mundial a partir dos anos 1990.

Pauta

Autoridades europeias acreditam que é o momento de "fazer negócios" com o Brasil. O presidente da Suíça, Ueli Maurer, e também membro da direita conservadora, tenta um encontro com o presidente Bolsonaro. A aceleração do processo para tentar fechar um acordo entre o Mercosul e o bloco composto pela Suíça e Noruega estão na pauta.

Nem todos na Suíça, porém, aceitam um diálogo apenas sobre economia com o presidente brasileiro. Para a imprensa suíça, o deputado Carlo Sommaruga chamou Bolsonaro de "figura terrível" e exigiu que o governo, ao negociar com o Brasil um acordo de livre comércio, fale em assuntos como democracia, direitos humanos e minorias.

Elisabeth Schneider-Schneiter, outra deputada suíça, também quer que seu governo insista em tratar com Jair Bolsonaro "os valores suíços da democracia, dos direitos humanos e do Estado de direito". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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