Última operação em siamesas unidas pela cabeça chega a 12 horas em Ribeirão Preto

Procedimento envolve 30 profissionais no Hospital das Clínicas da USP e deve terminar na madrugada de domingo (28). Assessoria diz que gêmeas, de 2 anos, respondem bem à operação.

Por Sérgio Ferreira 27/10/2018 - 23:59 hs

Por Visual News Noticias

A última cirurgia de separação das siamesas unidas pela cabeça já dura 12 horas no Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto (SP). Segundo a assessoria da unidade, as irmãs Maria Ysabelle e Maria Ysadora, de 2 anos, respondem bem ao procedimento, que só deve ser concluído na madrugada de domingo (28).

A cirurgia inédita no Brasil teve início pontualmente às 7h deste sábado (27) e envolve uma equipe multidisciplinar com 30 profissionais, incluindo quatro norte-americanos, entre eles o cirurgião James Goodrich, referência mundial no assunto e que acompanhou todas as etapas de separação das gêmeas.

O neurocirurgião Eduardo Jucá, médico que acompanha as siamesas desde o nascimento e que também participa do procedimento neste sábado, já havia explicado que, inicialmente, realizariam a separação final das áreas de vascularização dos cérebros, etapa que já havia avançado 80% até a terceira cirurgia, em agosto.

Os ossos do crânio, meninges – membranas que protegem o sistema nervoso– e tecidos ainda compartilhados pelas siamesas também serão separados nesta última etapa, para depois serem reconstituídos separadamente. Concluída a cirurgia, as crianças ainda ficarão por tempo indeterminado no hospital.

Penúltima cirurgia das irmãs siamesas unidas pela cabeça ocorreu em agosto — Foto: HC-FMRP/Divulgação/Arquivo

Comandado pelo professor chefe do Departamento de Neurocirurgia Pediátrica, Hélio Machado, o procedimento foi dividido em cinco etapas para que pudesse ser concretizado. A primeira operação ocorreu em 17 de fevereiro e durou cerca de sete horas. A segunda cirurgia, em 19 de maio, teve duração de oito horas.

A terceira cirurgia ocorreu em 3 de agosto e se estendeu por oito horas. A quarta cirurgia aconteceu em 24 de agosto, quando os médicos implantaram expansores subcutâneos para dar elasticidade à pele e garantir que, na separação total de corpos, neste sábado, haja tecido suficiente para cobrir os dois crânios.

Médico explica cirurgia aos pais das siamesas unidas pela cabeça em Ribeirão Preto — Foto: HC-FMRP/Divulgação/Arquivo

A família, que é de Patacas, distrito de Aquiraz (CE), está morando temporariamente no campus da USP, já que não são recomendadas viagens durante o processo de separação. Maria Ysadora e Maria Isabelle permanecem deitadas a maior parte do tempo, mas se alimentam e se comunicam normalmente.

A oncologista pediatra Maristella Francisco dos Reis já afirmou que as gêmeas têm desenvolvimento normal, como qualquer criança da idade delas, estão aprendendo a falar, brincam juntas e até ensaiam os primeiros passos, que só serão possíveis mesmo após a última cirurgia de separação, neste sábado.