Vírus da febre amarela teve mutação que pode ter provocado surto
O país já registrou 756 casos confirmados da doença em 2017, contra 7 em todo o ano passado
O país já registrou 756 casos confirmados da doença em 2017, contra 7 em todo o ano passado
Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz descobriram que o vírus do último surto de febre amarela - o maior desde o início dos registros do Ministério da Saúde - tem uma sequência genética jamais vista.Instigados pela extensão da última epidemia, eles fizeram o sequenciamento completo do genoma do vírus e encontraram oito mutações inéditas em algumas de suas sequências genéticas. Dessas variações, sete têm impacto na formação de proteínas envolvidas na replicação viral, processo que permite que o vírus provoque a doença. É possível que essa diferença genética seja um dos motivos do último surto de febre amarela.Myrna Bonaldo, chefe dos laboratórios de Biologia Molecular de Flavivírus e de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do Instituto Oswaldo Cruz, diz que ele também pode ser explicado pelo fato de a população da região impactada (Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro) ser pouco coberta pela vacina.O país já registrou 756 casos confirmados da doença em 2017, contra 7 em todo o ano passado. Desses, 259 acabaram em morte até agora. Minas teve 65% das ocorrências e o Espírito Santo, 31%. A febre amarela existente hoje no país é a de transmissão silvestre, que ocorre em áreas rurais e de mata.Mesmo com a descoberta, a vacina adotada atualmente continua valendo, dizem os cientistas. Isso porque essas mudanças não afetam as proteínas do envelope do vírus, que são centrais para a eficácia da imunização. O impacto dessa nova informação para a saúde pública ainda não está claro. Constatar as variações foi apenas o primeiro passo. "Agora, precisamos estudar o vírus em laboratório para entender se ele é, de fato, mais agressivo para humanos, animais e vetores [mosquitos]", afirmou Myrna.Os pesquisadores também querem saber quando essas alterações ocorreram e como o vírus se espalhou. Para isso, pretendem comparar amostras atuais e antigas - o último sequenciamento genético foi feito em 2010, na Venezuela. Eles já colheram amostras de mosquitos e dois macacos do Espírito Santo, mortos em fevereiro deste ano, e de um macaco do Rio. Agora, querem pegar de humanos, macacos e mosquitos de outros Estados. LEIA TAMBÉM: Número de mortes por febre amarela no estado do Rio sobe para cinco
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.
Confira as vagas de emprego disponibilizadas pelo SIMM nesta sexta
Confira as vagas de emprego disponibilizadas pelo SineBahia nesta sexta (26)
Vagas para Auxiliar de Serviços Gerais e Assistente Administrativo
ENEM 2025: Simões Filho fica fora do Top 20 da Bahia, mas investimentos da gestão Del So...