A economia brasileira cresceu 0,2% no segundo trimestre, na comparação com o trimestre anterior. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 0,3%, interrompendo uma sequência de 12 quedas. O resultado foi puxado pelo desempenho do setor de serviços e pelo consumo das famílias, que reagiu após nove trimestres de recuo.
A última vez em que a economia registrou alta nas duas comparações foi no primeiro trimestre de 2014, antes de estourar a crise econômica e política no Brasil, quando o PIB cresceu 0,5% na comparação trimestral e 3,5% na anual.
Especialistas apontam que, tecnicamente, é possível dizer que o país está saindo da recessão, caracterizada por dois trimestres seguidos de crescimento. Mas a saída é incerta porque o desempenho do PIB nos dois primeiros trimestres pode ser explicado por fatores pontuais e não por uma melhora generalizada da economia.
No primeiro semestre, o PIB ficou estagnado em relação ao mesmo período de 2016. No acumulado em 12 meses, o cenário da economia ainda é ruim, com encolhimento de 1,4%.
Em valores atuais, o PIB no segundo trimestre alcançou R$ 1,639 trilhão.
Em 2016, a economia encolheu 3,6%, e o país enfrentou o segundo ano seguido de recessão.
O resultado do PIB veio melhor que o esperado por analistas consultados pela agência de notícias Reuters, que previam crescimento trimestral de 0,1%.
Já a FGV (Fundação Getúlio Vargas) estimava queda de 0,24%.
Dos três setores da economia, apenas os serviços avançaram no segundo trimestre.
Na comparação com os três primeiros meses do ano, os serviços cresceram 0,6%, puxados pelo comércio (+1,9%), por atividades do ramo imobiliário (+0,8%) e pela área de transporte, armazenagem e correio. Em relação ao mesmo período do ano passado, porém, houve queda de 0,3%.
A agropecuária, que sustentou o PIB no primeiro trimestre, com crescimento de 13,4%, ficou estagnada no segundo. Mas, na comparação com o segundo trimestre de 2016, o setor ainda apresenta forte alta, de 14,9%, puxado sobretudo por importantes safras de milho, soja e arroz.
A indústria continua afundando na crise econômica, sem sinalizar recuperação. O setor encolheu 0,5% no segundo trimestre, comparando com o primeiro, e 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
A construção civil, uma das primeiras áreas a sentir os efeitos da operação Lava Jato, e a indústria da transformação, que produz máquinas e equipamentos para fábricas, estão entre os ramos que mais sofreram no período.
Apesar de a economia brasileira dar sinais de recuperação, a saída da sua mais longa e profunda crise, que causou forte desemprego, ainda é incerta.
O governo ainda sente os reflexos da delação premiada dos donos da JBS, que levaram o presidente Michel Temer a ser denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por crime de corrupção passiva. No início de agosto, logo após o Congresso retornar do recesso, a Câmara dos Deputados livrou o presidente da investigação.
Mesmo com a vitória, Temer pode ser alvo de uma nova denúncia, desta vez por obstrução de Justiça, o que pode atrasar ainda mais a votação de reformas, como a da Previdência, considerada pelo mercado como uma das principais medidas para recuperar a economia.
Temer, que assumiu o cargo interinamente em maio de 2016 e foi efetivado após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, procurou implementar uma agenda de reformas econômicas impopulares, criticadas pela população, mas apoiadas pelo mercado financeiro.
O PIB é a soma de tudo o que é produzido no país. Os dados consideram ametodologia atualizadado cálculo.
(Com agências de notícias)
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