Sem saber nadar, aposentado conta como se salvou de acidente

Ele esperou 2h por resgate. Esposa morreu

Por Visual News Notícias 30/08/2017 - 09:53 hs

 aposentado Justino de Jesus, 65 anos, perdeu a esposa no acidente com a lancha Cavalo Marinho I, em Mar Grande, que deixou 19 mortos. Alessandra Bonfim dos Santos, 35, estava ao lado dele quando a embarcação tombou. Ela foi lançada para o fundo do mar. Ele contou ao repórter Gil Santos como conseguiu escapar com vida, mesmo sem saber nadar, e relatou que duas embarcações passaram pelo acidente sem parar para prestar socorro.

 

 

Leia o relato:

"Eu estava sentado na frente da lancha, você de frente para lancha, do bico da lancha, eu estava sentado no lado esquerdo, em um banquinho atravessado que dá de frente pro mar. Minha esposa estava do meu lado. Quando ela (a lancha) desceu, duas vezes, e subiu, na terceira desceu muito.

Quando ela desce muito, a gente já prevê que vem uma onda forte do outro lado. Quando olhei pro lado direito, só vi aquela cortina de água. Quando a gente ia tentar segurar, foi na hora que ela tornou no lado esquerdo onde a gente tava. Minha esposa estava do meu lado, só vi ela pedir socorro e desceu direto pras águas.

Eu estava de frente com as guardas laterais, para sustentação do pessoal quando fica em pé ali encostado. Fiquei preso entre uma tábua e outra. Lutando para sair, mas estava preso. Foi Deus quem me tirou de lá, porque senti uma força me empurrando de lá. Foi aí que eu saí, mergulhei, passei por baixo do lugar onde estava quebrado, saí da lancha.

Como não sabia nadar, mesmo assim foi o que veio na mente. Aí bati os braços, porque vi o tampão, o teto da lancha soltou todo... Eu vi ele e nadei de encontro a ele para poder me segurar. Consegui, passei para cima do teto da lancha. E ali permaneci por duas horas.

Pela distância do ancoramento para ali... Em vinte segundos chegava, em 20 minutos chegava lá e eu passei duas horas esperando um resgate. O primeiro resgate que chegou foi uma lancha de cada de empresa e a que me tirou de lá foi a Vera Cruz, jogaram uma boia para mim. Eu me apeguei na boia e esse marinheiro que me puxou, até um conhecido meu, me puxou para cima e me colocou na lancha.

Quando estava em cima do teto da lancha, sentado, esperando resgate, passou uma lancha da empresa causadora do acidente e passou uma outra também do outro lado. A outra empresa estava indo para Salvador e a outra empresa que foi causadora do problema estava chegando.

Nós pedimos socorro, ficaram em pé, sacudindo os coletes, e tinha dois policiais, ou três, nos botes, ainda perto da gente, atirando para cima. Tinha um na lancha e outro nos botes, atirando para cima para ver. Não é possível que o pessoal não tenha visto.

E ontem eu soube aqui que pessoas que estavam na lancha que passou direto, eles disseram para mim, 'Avisamos para eles, mas disseram que era um saveiro'. Mesmo que fosse saveiro, era obrigação dar socorro. O que me causou coisa foi o desleixo deles, não se importaram com a gente que tava ali na água. Mesmo da terra dava para ver que a lancha tinha virado. Via a lancha, via o acidente. Quando eles viram, era para correr logo. Depois de duas horas que a gente estava na água foi que eles chegaram.