Redação
1. Dependência / vício
Uso excessivo de jogos pode evoluir para comportamento semelhante à dependência: perda de controle, prioridade do jogo sobre outras atividades, persistência mesmo com prejuízo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu na classificação de doenças o “distúrbio de jogo” (gaming disorder) para videogames excessivos.
Jogos de celular frequentemente usam mecânicas de recompensa (por exemplo, “ganhe-algo”, “abra loot”, “o próximo nível”, “ranking”) que ativam fortemente o sistema de recompensa do cérebro.
Por que isso importa: Quando algo se torna dependente, há risco de negligenciar sono, alimentação, atividades físicas, relações sociais, trabalho ou estudo.
2. Alterações na atenção, foco e desempenho cognitivo
Uso prolongado de jogos pode prejudicar a capacidade de manter foco prolongado, aumentar impulsividade, diminuir tolerância à frustração.
Alguns estudos mostram relação entre comportamento de jogo e sintomas de ansiedade, estresse ou depressão.
Em crianças, por exemplo, foi observado que “meios eletrônicos induzem à distração” e podem comprometer o desenvolvimento do foco e da atenção.
Por que isso importa: Nossa vida diária exige atenção sustentada, concentração, memória de trabalho — se esses ficam prejudicados, pode afetar estudos, trabalho e relações.
3. Sono, mood (humor) e saúde mental
Jogar muito em horários tardios ou usar eletrônicos antes de dormir pode prejudicar o sono — tanto em duração quanto em qualidade.
Privação de sono leva a irritabilidade, pior regulação emocional, pior desempenho cognitivo.
A emoção intensa ou estimulação alta dos jogos podem gerar “hiperexcitação” do cérebro, dificultando relaxar depois.
Por que importa: Sono é fundamental para reparo mental, memoria, humor. Interferir nisso impacta globalmente a saúde mental.
4. Saúde física e estilo de vida
Sedentarismo (ficar muito tempo sentado jogando) pode levar a problemas de postura, dores nas costas, articulações, má circulação.
Uso prolongado de telas pode causar fadiga visual, tensão ocular, problemas auditivos (uso de fones em volume alto) etc.
Pode haver negligência de outras atividades — alimentação, esportes, lazer ao ar livre.
Embora mais “corporal” do que “mentais”, estes efeitos físicos influenciam a mente (ex: dor constante = irritação, distração, pior humor).
5. Isolamento social ou negligência de relações reais
Se o jogo passa a ocupar grande parte do tempo, pode haver diminuição de interações “ao vivo”, negligenciar família/amigos, atividades sociais mais significativas.
Isso pode gerar solidão, piora de humor, menor suporte social — todos fatores de risco para saúde mental.
6. Mecânicas de jogo potencialmente manipulativas
Jogos de celular (e apps) frequentemente usam “dark patterns” de design: recompensas intermitentes, microtransações, loops de feedback, gatilhos emocionais. Um estudo recente encontrou que tais padrões são comuns e podem prejudicar jogadores vulneráveis.
Isso significa que o design do jogo não é neutro — pode estar intencionalmente construído para engajar mais, por mais tempo, o que potencializa os riscos.
Considerações finais e dicas de mitigação
Moderação é chave: jogar com restrições de tempo, ter pausas, equilibrar com outras atividades (leitura, esporte, socialização).
Estabelecer horários “offline”: evitar jogar justo antes de dormir, ou usar o celular como última atividade do dia.
Monitorar sinais de que o jogo está se tornando “problema”: sensação de culpa ou irritação ao parar, negligenciar outras atividades, fuga emocional no jogo.
Procurar ajuda se notar sintomas de depressão, ansiedade, isolamento ou desempenho acadêmico/profissional caindo.
Para crianças/adolescentes, pais ou responsáveis devem supervisionar tempo de tela e incentivar atividades variadas.
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