A lei financeira que pode melar a ida de Neymar ao PSG
Até que ponto um time bilionário como o PSG pode usar os infinitos fundos de seu dono para levar a cabo negociações como a de Neymar
Até que ponto um time bilionário como o PSG pode usar os infinitos fundos de seu dono para levar a cabo negociações como a de Neymar
O Paris Saint-Germain está perto de tirar o atacante brasileiro Neymar do Barcelona, no que, quando concluída, será a maior transferência da história do futebol mundial. Mas os 222 milhões de euros da multa rescisória que envolvem a transação (cerca de 820 milhões de reais) desencadearam uma discussão sobre até que ponto um time bilionário como o PSG — comprado em 2011 por um fundo de investimentos do Catar — pode usar os infinitos fundos de seu dono para levar a cabo negociações como essa.
A UEFA, organização que controla o futebol europeu, já afirmou que vai investigar a transação, para verificar se o time respeitou o chamado fair play financeiro. Desde 2011, a UEFA estabelece uma série de regras para a saúde financeira dos clubes, o que inclui as transferências de jogadores.
O Barcelona divulgou nota nesta quarta-feira informando que foi comunicado oficialmente sobre o desejo do brasileiro de deixar o clube, enquanto o PSG, segundo o empresário do jogador, Wagner Ribeiro, estaria disposto a pagar a multa. Mas disposição, para a UEFA, não basta. A Federação Espanhola, que seria responsável por receber o dinheiro e repassá-lo ao Barcelona, rejeitou a transação nesta quinta-feira, temendo ser punida pela UEFA no futuro. Enquanto isso, representantes do jogador buscam alternativas para concluir a transação.
A grande discussão em torno da transferência de Neymar é que argumenta-se que o PSG não tem dinheiro suficiente para arcar com os valores, e que o montante viria dos bilionários donos do clube. Atualmente, o PSG é gerido pelo empresário Nasser Al-Khelaïfi, que é presidente do PSG e do Qatar Sports Investment, fundo ligado ao governo do Catar que comprou o time francês em 2011.
Em tese, há um limite para o aporte dos árabes: o acionista majoritário de um clube europeu não pode responder por mais de 30% do faturamento de um time, segundo as regras da UEFA. Os clubes também não podem gastar mais do que ganham, e as despesas com futebol não podem ultrapassar 65% da receita. As punições podem chegar a expulsão de campeonatos europeus, como a UEFA Champions League.
Na temporada 2015-16, o PSG faturou 521 milhões de euros, segundo levantamento da Forbes, e somente a multa da transferência de Neymar já totaliza 42% desse valor. O Barcelona faturou 666 milhões de euros e o Manchester United, time mais valioso do mundo, 765 milhões.
Mas há brechas na legislação que devem ser usadas pelo PSG. Um ponto importante é que o clube pode recuperar o investimento ao longo do contrato de Neymar, reequilibrando as finanças antes de prestar contas a UEFA. Em 2014, o PSG já havia sido punido por descumprir o fair play financeiro, assim como o Manchester City, mas a decisão foi revogada no ano passado porque a Uefa avaliou que os times readequaram o orçamento.
Os xeques apostam que as ações de marketing envolvendo o jogador, os resultados que ele trará em campo e a visibilidade que ele dará ao time serão suficientes para aumentar a receita do PSG de tal forma que as regras da UEFA serão respeitadas.
O consultor Pedro Daniel, responsável pela área de esportes da BDO, avalia que, além das ações de marketing com Neymar, o PSG deve ganhar em maiores receitas de TV no Campeonato Francês, por exemplo.
O clube faturou 123 milhões de euros em direitos de TV na última temporada. Real Madrid, Barcelona e Manchester City faturaram mais de 200 milhões de euros. Portanto, se o Campeonato Francês se fortalecer, o PSG tem muito a ganhar, e espera-se que Neymar colabore para isso. “Todo mundo vai querer ver o campeonato francês agora. O PSG ganha escala”, diz Pedro.
A contratação também leva em conta a Copa de 2022, que será sediada no Catar. A expectativa é que a presença de Neymar no time gerenciado pelos xeques do país ajude a capitalizar ações de marketing.
O PSG não é o primeiro clube a ter um dono milionário disposto a abrir a carteira. A mesma discussão envolve times como o Manchester City, comprado em 2008 por um fundo de investimentos do xeque Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan, vice-premiê dos Emirados Árabes Unidos e parte da família que governa o país, ou o Chelsea, comprado pelo milionário russo Roman Abramovich em 2003.
Com exceção do Chelsea, que já era um time com grande abrangência mundial, os donos milionários chegaram a clubes sem expressão e tentam, com o investimento, equipará-los aos grandes times europeus. Quando chegou ao PSG, por exemplo, Al-Khelaïfi disse que, em quatro anos, colocaria o time entre os primeiros da Europa.
A regulação da UEFA surtiu alguns efeitos: o endividamento dos clubes foi de 1,7 bilhões de euros em 2011 para 400 milhões em 2014, um ano após a implementação do fair play financeiro.
Todos os anos, times são punidos ou levam alguma advertência por descumprirem o regulamento. Na temporada 2016-2017, a UEFA anunciou que o Porto, de Portugal, foi o único a descumprir as regras. Assim, o clube se juntou a outros 12 times que estão, atualmente, dentro de um processo de ajuste fiscal exigido pela entidade europeia. Além de uma multa de 700.000 euros, até a temporada 2021-2022, o Porto precisa limitar o número de contratações e reduzir sua dívida.
Nos últimos anos, já houve punições mais rigorosas: em 2013, o Málaga foi expulso de todos os campeonatos europeus por quatro anos — mas recorreu da decisão e voltou em 2014. No primeiro semestre deste ano, o Real Madrid ficou proibido de contratar novos jogadores.
“Nesse fair play financeiro, é muito fácil punir o Málaga, mas muito difícil punir o City e o PSG. Porque os grandes conseguem se readequar”, diz o consultor de gestão esportiva Amir Somoggi.
No Brasil, ainda não há uma regulação para o montante que patrocinadores podem empregar nos clubes. Isso cria situações como a do Palmeiras, onde a Crefisa, patrocinadora majoritária, injetou mais de 300 milhões de reais no clube desde 2015.
O patrocínio do time, de 90 milhões, está pelo menos 30 milhões acima da média brasileira. O ex-presidente do clube, o empresário Paulo Nobre, também já pagou contratações do próprio bolso. O mesmo aconteceu com a Unimed, que foi patrocinadora do Fluminense por 15 anos.
Embora a situação seja diferente no Brasil — já que os clubes não são empresas e atuam sem fins lucrativos — a falta de regulação cria distorções que podem ser prejudiciais à competição. Há algumas regras estabelecidas pelo Profut (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro), que renegociou as dívidas dos clubes com a União e, em troca, exige responsabilidade fiscal dos que aderiram. Mas ainda longe de ser algo próximo ao que acontece com a Uefa. “O Palmeiras tem um dinheiro que os outros times não têm, e não há nada que impeça isso. Há um desequilíbrio”, diz Somoggi.
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.
Prefeito Del entrega novos equipamentos e reforça investimentos nas áreas de Saúde, Edu...
Confira as vagas de emprego disponibilizadas pelo SIMM nesta quinta (18)
Confira as vagas de emprego disponibilizadas pelo SineBahia nesta quinta (18)
Simões Filho Conquista Selo de Transparência dos Festejos Juninos 2026 e Reforça Compro...