Por: Sérgio Ferreira
A queda das cotações internacionais do petróleo fez com que a maior refinaria privada do país anunciasse cortes nos preços da gasolina e diesel. A Refinaria de Mataripe, operada pelo fundo árabe Mubadala na Bahia, praticava preços mais altos do que a Petrobras. O valor da gasolina caiu 5,2% e o do diesel S-10, que possui um teor de enxofre menor, em 9%, de acordo com dados da Acelen, empresa criada pelo fundo árabe para operar a refinaria privada, comprada da Petrobras por R$ 10,1 bilhões, que está sob gestão privada desde dezembro do último ano.
Considerando o valor médio dos reajustes, a empresa da Bahia comercializa diesel mais barato do que o valor médio praticado pela Petrobras, que é de R$ 5,26 contra R$ 5,61 por litro. Entretanto, a gasolina continua mais alta, sendo R$ 4,32 praticado pela Mataripe e R$ 4,05 pela Petrobras.
Nos últimos dias, diante de temores sobre recessão global, as cotações internacionais do petróleo caíram bastante, oscilando em torno dos US$ 100, equivalendo a R$ 535, por barril. O cenário eliminou a defasagem nos preços da gasolina e etanol, além de outros combustíveis.
Na última quinta-feira (7), de acordo com dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço médio nas gasolinas brasileiras está no mesmo patamar da paridade de importação, conceito utilizado pela Petrobras em sua política de preços.
O diesel está R$ 0,27 mais caro do que o custo estimado para importar o produto. É o segundo dia consecutivo sem defasagens negativas. A Petrobras, entretanto, ainda não anunciou ajustes nos preços da gasolina e diesel praticados por suas refinarias.
Desde o começo da gestão privada, a empresa tem observado mais de perto as flutuações do mercado internacional. Em meio a grande pressão, a Petrobras chegou a ficar 99 dias sem alterar os preços da gasolina, embora a escalada das cotações internacionais no período.
Com a queda do petróleo, que chegou a altas de US$ 140 por barril, a direção da estatal começa a ser cobrada por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro para mitigar os seus preços de venda dos combustíveis. Em comunicados sobre reajustes, entretanto, a Petrobras afirma que acompanha as cotações internacionais, mas que evita repassar ao mercado interno volatilidades pontuais.
A Acelen anunciou em abril um investimento de R$ 500 milhões voltados para a Refinaria de Mataripe, na Bahia, com a estimativa de gerar diversas vagas de emprego. Os recursos serão investidos no ciclo de paradas programadas na manutenção da refinaria privada durante 2023.
De acordo com o vice-presidente de operações da Acelen, Celso Ferreira, o aporte será utilizado para gerar uma competitividade maior para a refinaria na Bahia, que foi a primeira a ser vendida pela Petrobras em seu programa de desinvestimentos no segmento de refinarias.
O objetivo da empresa é ampliar os níveis de operação, que tiveram registros de 65% no último ano, para mais de 97% da capacidade instalada. A Acelen acredita que, através desses investimentos, será possível gerar novos produtos, otimizar o atendimento aos seus clientes e ampliar sua produção para outros mercados e otimizar, além de gerar novas vagas de emprego na Bahia.
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