Após três dias de discursos de mais de cem de paÃses no Fórum da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) para defender a paz e a segurança, nesta quarta-feira (2) foi aprovada uma resolução contra a invasão russa da Ucrânia.
Foram 141 votos a favor, 5 contra e 35 abstenções.
Assembleia Geral da ONU condena invasão da Rússia à Ucrânia
O texto "deplora nos mais fortes termos a agressão da Rússia contra a Ucrânia".
Ela é não vinculante, o que significa que, a partir dela, os paÃses não
são obrigados a fazer nada. Sua importância, portanto, é polÃtica:
mostra como a maioria dos paÃses vê a invasão promovida por Moscou.
Assembleia Geral da ONU sobre invasão da Ucrânia — Foto: Reuters/Carlo Allegri
Boa parte da comunidade internacional acusa a Rússia de Vladimir Putin de violar o artigo 2 da Carta das Nações Unidas, que pede aos seus membros para não recorrer a ameaças ou à força para solucionar conflitos.
Votação da ONU sobre a invasão russa da Ucrânia em 2 de março de 2022 — Foto: Reprodução/ONU
O texto, promovido pelos paÃses europeus e Ucrânia,
e apoiado por 141 paÃses de todas as regiões do mundo, sofreu inúmeras
alterações nos últimos dias para chegar a um acordo mÃnimo aceitável
para os mais relutantes.
A resolução deixou de "condenar", como estava inicialmente previsto, para "deplorar nos mais fortes termos a agressão da Rússia contra a Ucrânia".
Embaixador da Belarus na ONU: 'Só negociações podem botar um fim nesse derramamento de sangue'
Praticamente
todos os oradores na Assembleia condenaram a guerra, a insegurança e o
risco de escalada do conflito armado em um mundo que começava a
se recuperar dos estragos devastadores da pandemia de Covid-19, como
demonstra a escalada de preços das matérias-primas, principalmente do
gás e petróleo, ou a queda das bolsas de valores.
Sem mencionar a iminente crise humanitária que já levou centenas de
milhares de ucranianos a deixar o paÃs em busca de um lugar seguro e
causou dezenas de mortes de civis.
A Rússia sustenta que sua invasão é "legÃtima defesa". "Não foi a Rússia que iniciou esta guerra. Essas operações militares foram iniciadas pela Ucrânia
contra os habitantes de Donbass (a região separatista no leste do paÃs)
e contra todos aqueles que não concordavam com ela", defendeu como um
mantra o embaixador russo Vassily Nebenzia, no fórum internacional em
Nova York.
'Estamos prontos para trabalhar pela paz', afirma embaixador do Brasil na ONU
O Brasil
votou a favor da resolução, mas alertou que "a resolução é um apelo Ã
paz da comunidade internacional. Mas a paz exige mais do que o silêncio
das armas e a retirada das tropas. O caminho para a paz requer um
trabalho abrangente sobre as preocupações de segurança das partes".
Segundo a representação da ONU no Brasil,
a "resolução não pode ser vista como permissiva à aplicação
indiscriminada de sanções e ao envio de armas. Essas iniciativas não
conduzem à retomada adequada de um diálogo diplomático construtivo e
correm o risco de aumentar ainda mais as tensões com consequências
imprevisÃveis para a região e além".
"Não há nada a ganhar" com uma nova Guerra Fria, alertou o embaixador da China na ONU, Zhang Jun, depois de lembrar que a "mentalidade" desta época "baseada no confronto de blocos deve ser abandonada". Aliada da Rússia, a China se absteve de votar uma resolução semelhante no Conselho de Segurança na sexta-feira passada.
Outros paÃses como Cuba, Venezuela, Nicarágua, SÃria e Coreia do Norte denunciaram no fórum da ONU os "duplos padrões" dos Estados Unidos e dos europeus, que não hesitaram em invadir paÃses como Iraque, Afeganistão, LÃbia ou SÃria.
Aos olhos dos aliados latino-americanos, esse conflito foi causado pela expansão da Otan para os antigos paÃses satélites da extinta União Soviética, cuja área de influência Putin quer restaurar.
Embaixador da Ucrânia na ONU: 352 pessoas, incluindo crianças, foram mortas
A vice-presidente e chanceler da Colômbia, Marta LucÃa RamÃrez, além de pedir à Rússia
"responsabilidade" pelas consequências econômicas, humanitárias e
jurÃdicas de sua ação, lembrou que o mundo "não quer e não aceitará" um
retorno aos impérios.
Um dos últimos que falaram nesta quarta-feira foram os Estados Unidos que, como os europeus, adotaram uma enxurrada de sanções destinadas a isolar a Rússia e sufocar sua economia para que não possa financiar a guerra.
O presidente americano Joe Biden disse na terça-feira em seu discurso
anual sobre o Estado da União que Putin subestimou a resposta dos paÃses
ocidentais com sua decisão de invadir a Ucrânia.
"Ele rejeitou as tentativas de diplomacia. Ele pensou que o Ocidente e a Otan não responderiam. E ele pensou que poderia nos dividir internamente. Putin estava errado. Estávamos prontos", disse Biden.